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BIOGRAFIA

Comecei com a palavra. Certa vez escrevi: “Você é minha água!”, num bilhete pra minha mãe, meu primeiro poema. Ela me perguntou o porquê, fácil: sem água a gente morre, mãe!  Depois disso, na escola, aprendi que poesia podia me salvar de algumas coisas. Escrevi e ganhei alguns concursos; num deles ganhei um toca fitas de prêmio. A música chegava cavalgando num poema!

Antes disso, minha infância musical foi na comunidade que cresci, no Rio de Janeiro, uma favela chamada Booggie Wooggie. Entre as vielas, era sertanejo, funk melody, samba… mas um menino branco, criado na favela, tem privilégios que muitos dos meus amigos e familiares não tiveram. E o caminho, culturalmente aceito, foi realizado: o rock invadiu meu coração. Entre a favela e o subúrbio, as letras das bandas dos anos 80 eram meu pedestal pra fugir das dores dos ossos crescendo. Mas o funk, o sertanejo e o samba nunca sairam de mim. Sou neto de mineiros. Ouvia o sertanejo numa vitrola enorme, de mogno. Achava que lá dentro tinha um monte de pessoinhas fazendo música. Enquanto isso, no quintal de barro, empunhava o cabo de vassoura, fazia tudo de violão: uma raquete de plástico, um pedaço de ripa de caixa de maçã. Minha mãe percebeu e me presenteou com um daqueles violões de madeira que não são feitos pra tocar. Guardo o cheiro da madeira dele em mim até hoje. O violão é minha paixão, descobri. A madeira e o aço me enfeitiçam.

EP PERRO NEGRO

Em 2008 resolvi dar um basta em tudo e buscar o que mais me fazia feliz fazendo música: compor. Comprei um microfone condensador, o mais barato, e uma placa usb. Comecei a gravar as coisas que escrevia em casa. Dois anos de um hiato doloroso me fizeram ver o que era importante nisso tudo: simplesmente compor. Do apanhado de canções desse período, juntei tudo num EP chamado “Perro Negro”. O nome é sugestivo, explico: a última canção do Nick Drake se chama “Black Eyed Dog”, que é uma canção sobre a lenda do “Perro Negro”, um cão que, quando chega, traz o presságio de morte. Minha morte foi o meu renascimento. Como na canção do Nick, o Perro Negro me visitou numa manhã de chuva e eu abri a porta pra ele. Depois as coincidências do destino… soube que o último disco do Bert Jansch se chama Black Swan. Nick Drake gravou várias canções de Bert. O primeiro disco da minha banda predileta se chama “O Adeus de Fellini”. Pra não fugir ao meu coração segunda fase do romantismo, gosto de começar terminando.

Esse EP me trouxe pra São Paulo. Foi ele que me fez viajar pra tocar num festival na capital paulistana, o All Folks. Acabei entrando pra banda dos organizadores do festival. Foi aí que conheci o Mateus Polati e o André Sanches, músicos que me acompanharam e acompanham até hoje. Nesse festival também conheci o amor da minha vida, a artista plástica Mayara Nardo. Ela que assina todas as criações de capas e cartazes com pinturas minhas. A capa do “Perro Negro” foi um presente de aniversário que ela me deu em 2013, dois meses depois da gente se conhecer. O “Perro Negro”, cansado de correr por aí, decidiu descansar na borda da lua, assim fez meu coração.

BREVE HISTÓRICO

Gravei meu primeiro disco em 2008, com a banda Joana D´Arc. Depois de 10 anos fazendo o circuito das grandes casas de show do Rio e grande Rio, me mudei para São Paulo. Em 2012 lancei o EP solo, Perro Negro. Fiz shows nas unidades Sesc SP e RJ, solo e com a banda The Outside Dog; fiz parte do line-up de festivais de folk da capital paulista, como o All Folks Fest, Sunday Folk, Vila do Folk… Mantenho parceria de composições com a cantora e compositora Dulce Quental, com Alexandre Lemos e tive a honra de ter uma canção gravada pelo cantor Toni Platão (“Onde Doi”).

O SHOW PERRO NEGRO

No show apresente um repertório que mescla meu trabalho autoral e releituras de algumas influências musicais, que vão de Belchior a Nick Drake, em um resgate tanto da música brasileira de raiz como do folk tradicional.

Integrantes: Rafael Elfe (violão de aço, gaitas e viola caipira),

Mateus Polati (bateria e percussão)

e Felipe Pizzutielo (contra-baixo)

RESENHA

“Pelo Cinema Novo: o comportamento exato de um faminto é a violência. Do Cinema Novo: uma estética da violência, antes de ser primitiva, é revolucionária. Somente pelo horror da violência, o colonizador pode compreender a força da cultura que ele explora”.

Disse Glauber Rocha… e, acompanhando o trabalho do Rafael Elfe durante esses quatro anos, com apenas um EP modestamente lançado, a música que o Rafa faz só pode ser considerada a Música Nova Brasileira; porque, sem apoio privado e sem apoio público, um músico que grava suas próprias canções, sozinho com um homestudio barato, só pode ser movido por muito amor a seu país e muita sinceridade em suas composições. E sem essas barreiras ele alcança toda a liberdade que o nosso país precisa. Sem convenções, sem vaidade, sem dono!

Por Mayara Nardo – www.mayaranardo.com

 

Artistas que me influenciam: Johnny Flynn, Joel Plaskett, Eric Bibb, Joze Gonzales, Esmé Patterson, Belchior, Moo Kenney, Karen Dalton, Belchior, Raul Seixas, Nick Drake, Dawn Landes, Violeta Parra, Hurray for the Riff Raff, Mercedes Sosa, Jackson C. Frank, Sui Generis, Bert Jansch, León Gieco, Boubacar Traoré, Mississippi John Hurt, The Tallest Man on Earth…